Quinta-feira, 21.02.08

 

(Retirada da Net )

 

 

O meu irmão mais velho é pai de uma criança portadora de trissomia 21 - a Diana. Nada fazia esperar que a primeira filha, a primeira neta, a primeira sobrinha nascesse assim. Nasceu no dia 12 de Novembro de 1984, às 17H10, no Hospital de Santa Maria em Lisboa. Recordo este momento como se o tivesse a viver há 23 anos atrás.

Nunca em momento algum foi posta em causa a sua vinda a este mundo, antes pelo contrário. Cada ano que passa, o aniversário da Diana que, por coincidência ou talvez não, é também o aniversário da minha Maria, é comemorado com muita alegria e amor. Lembro-me de acompanhar o meu irmão em consultas e de um dia ouvir um especialista dizer: «A Diana tem muita sorte em ter nascido nesta família».

Na altura, todos insistíamos para que tivessem outro filho, sob o pretexto de que seria benéfico para eles e, sobretudo, para a Diana. A resposta sempre foi negativa dados os problemas que passaram. A Diana foi operada ao coração quando tinha 2 anos, passou parte da sua vida em hospitais, em especialistas, em fisioterapia, em terapias de desenvolvimento e por aí fora. O desgaste é muito e, infelizmente, os apoios são nulos. Tudo foi suportado sem qualquer comparticipação do Estado, tudo foi feito só com o apoio da família.

Volvidos que são 23 anos do seu nascimento e passadas as primeiras dores, uma outra dor agora surge. A certeza da morte.

A Lei obriga os pais destas crianças/jovens/adultos a nomear um tutor para os seus filhos, em casa de morte dos progenitores.

Engraçado, nunca pensamos nisto e se o fazemos tentamos de imediato afastar este tipo de pensamentos. Como alguém diria, «nenhum jovem pensa que um dia vai morrer».

Os pais destas crianças têm de pensar,  têm de agir, têm de enfrentar mais esta realidade de forma nua e crua, têm de ultrapassar este medo com a coragem que ultrapassaram todos os outros.

É o percurso inevitável para todos, mas encarar esta possibilidade não é fácil tendo em conta a idade da Diana e a idade dos seus pais - o meu irmão com 49 anos e a minha cunhada com 46 - e a dor que a certeza do fim desperta em cada um de nós.

Encontrar uma pessoa que queira ser tutora da Diana não vai ser difícil no seio da minha família, afinal, a Diana teve a sorte de nascer no seio dela. Mas, terão todas as crianças esta «sorte»?

 

 

 



publicado por Estupefacta às 20:31 | link do post | comentar | ver comentários (19)

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