Terça-feira, 11 de Março de 2008

 

 

 

(É assim que me sinto)

 

Ser avaliado custa e traz stress. A minha Maria «sofre» de ansiedade provocada pelos momentos de avaliação a que vulgarmente chamamos testes. Ansiedade tal que se manifesta fisiologicamente e a miúda faz mesmo grandes febrões, tem dores, chega mesmo ao ponto de ficar com reacções cutâneas e edemas labiais. Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que tenho de ir com ela para o Catus   ou Hospital.

Porque tinha de apresentar oralmente um trabalho na disciplina de Língua Portuguesa, esta noite foi linda: acordada de hora a hora. Ora se queixava de dores de cabeça, ora de dores musculares, ora com febres que ultrapassaram os 38,5º. Isto é normal? Não, eu sei. Mas já não sei o que hei-de fazer. Escusado será dizer que lá se foi a apresentação.

Esta manhã apetecia-me tanto ter ficado na caminha, mas não pude. A alvorada deu-se, como sempre acontece, às 6 horas. Mais, tive de levantar também a Maria, ainda com febre,  e levá-la para os meus pais.  Nem direito a faltar pela minha filha tenho. Isto é ter regalias ou privilégios? Não me parece. Ok, foi a profissão que escolhi, mas mais valia ter ido vender tremoços para o terminal da rodoviária na Caparica.

 

 



publicado por Estupefacta às 18:21 | link do post | comentar

31 comentários:
De daplanicie a 11 de Março de 2008 às 19:22
Huuummm acabaste de me dar uma óptima ideia. Vender tremoços não me parece nada mal... :-)
Melhoras para a rapariga e um beijinho para ti.
P.S. - E o teu pai como está? Espero que o pior já tenha passado!


De Estupefacta a 12 de Março de 2008 às 13:35
Por vezes ponho em causa as horas, as noites, os dias que passei a queimar as pestanas. Uma das minhas cunhadas diz-me sempre que não faço nada e que foi a profissão que escolhi, mas não escolhi «aturar» meninos cujos pais não lhes souberam dar educação. Essa é a verdade. que legitimidade terão estes encarregados de «deseducação» para me avaliarem?
O meu pai, como te disse, vai ser operado no próximo dia 14 de Abril, mas está um pouco melhor, embora continue a fazer muitos disparates. Coitada da minha mãe. Obrigada.
Beijinhos


De Bianca Ribeiro a 11 de Março de 2008 às 21:40
Olá tudo bem?
É verdade traz stresses apesar de eu já estar habituada, mas prefiro fazer trabalhos =p hehehe
As melhoras para a menina
Um beijo
Bianca Ribeiro


De Estupefacta a 12 de Março de 2008 às 13:41
Olá Bianca
Obrigada!
A Maria fica sempre muito nervosa e ansiosa. Tento desvalorizar as coisas, mas não consigo. Ainda por cima, fica sempre aquém daquilo que sabe, porque acaba por bloquear. Já pedi que a avaliassem de outras formas ou que a tirassem do contexto de sala de aula, mas foram implacáveis no não. A verdade é que ela tem de saber lidar com isto, até porque estamos constantemente a ser avaliadas.
Um grande beijinho


De Júlia a 11 de Março de 2008 às 23:08
Não me parece que ir vender tremoços fosse melhor do que ser professora!
Acho que todos os trabalhos têm os seus prós e os seus contras. Mas de facto, ter que deixar os filhos doentes e ir obrigatoriamente trabalhar, é muito custoso...
FElizmente, não tenho tido grandes preocupações com as minhas piolhecas, mas quando acontece, tb sinto que as coisas não deveriam funcionar assim.

As melhoras para a Maria.


De Estupefacta a 12 de Março de 2008 às 13:48
Sabes Júlia, às vezes pergunto-me para que é que estudei tanto... são alturas da vida em que me sinto mais vulnerável. Custa-me imenso deixar a Maria quando está doente. Sei que fica bem entregue, mas preferia estar com ela.
Raramente falto, nunca ponho artigos a descontar nas férias e, nestas alturas, sinto uma enorme revolta quando nos querem tirar as regalias. São regalias conquistadas com luta e esforço não são privilégios. Privilegio , para mim, seria chegar a casa e não ter de pensar no trabalho, não ter de avaliar cadernos, fazer e/ou corrigir fichas, ter tempo para acompanhar a Maria e no fim do mês ter um ordenado que me pudesse permitir ter uma vida desafogada. Mas enfim, os professores não trabalham e é nesta verdade que acreditam.
Ainda bem que as tuas piolhecas não te dão estes afazeres. Nem sabes a felicidade que tens.
Um grande beijinho


De Júlia a 12 de Março de 2008 às 16:48
Amiga, para mim uma das maiores riquezas que há é a sabedoria... por isso não penses que fizeste mal por estudar tantos anos! Por cá, e se calhar por aí tb, costuma-se dizer, que o saber não ocupa lugar. E não ocupa mesmo! Eu só estudei até ao 12º ano... e fiquei-me por aí... hoje arrependo-me... mas qualquer dia volto, porque quero saber mais.
Quanto ao facto de quererem retirar regalias aos profs., também acho mal. Não é justo. Mas tb acho, e desculpa-me a franqueza, que há alguns profs. que se queixam demais e já me deparei com uma prof. de uma das minhas filhas, que não sabia distinguir um emigrante de um imigrante... enfim...
Por fim, deixa-me dizer-te que se eu tivesse seguido outro caminho, quando cheguei àquela encruzilhada, sabes, provavelmente, teria sido professora.
Ensinar bem é um dom.
Beijinhos... e espero que a Maria já esteja melhor.



De Estupefacta a 13 de Março de 2008 às 06:47
E terias sido uma excelente professora. Às vezes gostava que a senhora Ministra e quem está por ela passasse uma semana a dar aulas a um 3º ciclo numa escola pública, que bem poderia ser na minha. Depois desta semana queria ver que tipo de avaliação ela fazia. São desabafos.
Fazes bem em ir para a Faculdade, o espírito académico é muito giro, pelo menos era.
Um grande beijinho


De Raquel a 11 de Março de 2008 às 23:12
Espero que a Maria ja esteja melhor, beijinhos


De Estupefacta a 12 de Março de 2008 às 13:49
Obrigada Raquel pelo teu sempre cuidado.
Beijinhos


De Genny a 12 de Março de 2008 às 09:57
Já deu para ver que as coisas não estão muito bem para o vosso lado. Nem sempre as nossas profissões nos dão essa liberdade de manobra para cuidar-mos dos nossos filhos.
Um grande abraço para as duas e um muito especial para a Maria.


De Estupefacta a 12 de Março de 2008 às 13:53
Aqui há dias vi uma reportagem na Sic sobre crianças com cancro e, acreditas que as mães funcionárias públicas têm apenas 11 dias por ano para acompanhar os seus filhos? As mães não funcionárias públicas têm 30 dias. Isto é inacreditável. Somos mães diferentes? Os nossos filhos são menos filhos? Acho inacreditável. Há realidade que a maioria das pessoas desconhece.
Um grande beijinho Genny e bem haja pelo teu cuidado


De Just Moments a 12 de Março de 2008 às 13:35
Olá Amiga!!

Vender tremoços??
da maneira que isto está....

Se a Maria sofre com iso, só prova que é responsavel..

AS melhoras para ela..

beijinhos

ps..e para o teu pai


De Estupefacta a 12 de Março de 2008 às 13:56
Querida Dor, nem imaginas a revolta que por vezes sinto.
A Maria é responsável de facto e tem pavor de me desiludir, que deixe de gostar dela se não obtiver bons resultados. Não é normal e já falei vezes sem conta com ela sobre isto, mas em vão.
O meu pai vai melhor... vai ser operado no próximo mês. vamos ver como tudo corre.
Um grande beijinho e obrigada. És impecável.


De Rosa e Azul a 12 de Março de 2008 às 18:49
Espero que a Maria já esteja melhor.
Como entendo as tuas preocupações profissionais. Venho de uma familia em que todos os membros estão ligados ao ensino. Eu fui a única ovelha tresmalhada !!!
Bj
Ana


De Estupefacta a 13 de Março de 2008 às 06:49
Olá Rosa
A Maria já está um pouco melhor e regressa hoje às aulas. Vou ter de recorrer a ajuda de profissionais. É mais uma tentativa.
Se calhar foste a única que tomou a opção acertada, acredita.
Um grande beijinho


De guguinha a 12 de Março de 2008 às 19:16
Sei bem o que isso é. Sentia sempre isso na pele quando era da idade dela, mesmo no ensino superior sempre que tinha de apresentar um trabalho eram horas de sofrimento, que me deixavam desesperada. Ainda agora ,cada vez que tenho formação para apresentar, fico completamente KO. Já os meus miúdos sentem-se a vontade, mas as noites antes dos trabalhos ou testes são sempre mal dormidas. Stress!!!
Tens toda a razão, a familia .os filhos neste momento são relegados. Ainda me veem falar de incentivos a natalidade... Brincamos com coisas muito sérias. As melhoras, para a Maria, Beijinhos, Guguinha


De Estupefacta a 13 de Março de 2008 às 06:54
Os filhos acabam por ser tão diferentes de nós. Ainda hoje não tenho qualquer dificuldade em falar em público. Acho que tenho uma grande capacidade de improviso....
Custa-me imenso deixar a Maria relegada. No fim de um dia, depois de estar com cerca de 150 miúdos, tenho alturas em que nem a voz da Maria consigo ouvir e muito menos acompanha-la nos estudos. Quais incentivos??? Com os nossos ordenados e ao preço que estão as coisas.... se fossemos ministros sim, valeria a pena termos mais filhos.
Um grande beijinho


De guguinha a 13 de Março de 2008 às 08:33
Não penses assim, todas nós ao fim de um dia de trabalho ,estamos sem paciência para ouvir os nossos ,rebentos. Mas o que é certo é que estamos lá sempre que eles precisam, e mesmo cansadas , esfarrapadas,sentamo-nos ,na cama deles e ficamos a ouvir tudo o que têm para contar. Eu sei bem que os incentivos são nulos. Eu tenho três ,e se quis ficar os 5 meses em casa com o mais pequeno saiu-me BEM do bolso. Ainda para mais agora com a história de ter de recorrer ao médico de família (que nunca tive!!!) para poder ficar com eles em casa quando doentes... Só incentivo a que não se tenha filhos. Beijinho grande Guguinha ( Não se pode falar de governo senão ainda somos suspensas!! Eh! EH! Eh!)


De Estupefacta a 14 de Março de 2008 às 06:57
Isso é verdade, acabamos sempre por ir buscar forças não se sabe muito bem onde, para ouvir, acarinhar os nossos filhos, que são o que de melhor nós temos..
As coisas estão cada vez mais burocráticas e médicos precisam-se nos centros de saúde. Será que o Sócrates nos ouve? Mas deve ter as orelhas bem quentinhas, eh eh.
Um grande beijinho para ti e para os teus meninos (meninas e menino)


De guguinha a 14 de Março de 2008 às 14:18
Tens toda a razão, orelhas quentes ,mas bem quentes ,ou melhor a arder mesmo. Ele não ouve, nem quer ouvir, além de omitir as verdades ao povo. Ao menos ,dizia a verdade ,que não há dinheiro para fazer melhor. Agora vem com palavras meladas, e o povo acredita, depois são os funcionários públicos os culpados de toda esta situação de crise.
Bem beijocas, antes que meu estomago rebente de tanto ácido. Sabes eu tenho dois meninos e uma linda princesa de 13 anos. Guguinha


De Estupefacta a 16 de Março de 2008 às 09:25
Pensei que eram 2 meninas e um menino.
O povo tem memória curta. Agora que estamos em contagem decrescente para as próximas eleições, o senhor vai começar a dar umas amêndoas para nos adoçar a boca... e esquecemo-nos do fel. É sempre assim e é pena.
Um bom domingo e um grande beijinho para todos


De guguinha a 16 de Março de 2008 às 21:45
Não tem importancia, são todos meus filhos e lindos,Eh! Eh!
Eu não me vou esquecer,e se queres saber acho que não vem amendoas, vai continuar a vir fel, e muito...
Beijocas, Guguinha


De cigana a 12 de Março de 2008 às 22:44
Tinhas um stress medonho porque os tremoços não rendem nada, e nem ao fim de semana podias descansar!
E a tua filha tinha stress na mesma porque a vida dela é na escola...


De Estupefacta a 13 de Março de 2008 às 07:05
é isso que me preocupa: a vida da miúda é na escola e ainda tem uma longa caminhada pela frente.
Se calhar, os tremoços não são a melhor opção... ficava sem os meus queridos fins de semana, coisa muito boa que ainda vou tendo


De cigana a 13 de Março de 2008 às 10:25
O meu mais novo é assim, todo perfeccionista. É óptimo aluno e fica doente só de pensar que pode falhar. Mas com a idade e com o nosso apoio, essas coisas têm tendência a atenuar.


De Estupefacta a 14 de Março de 2008 às 07:00
A Maria tem um «medo medonho» de me desiludir, que eu deixe de gostar dela.... Fico preocupada com isto, porque está na idade de definir a sua personalidade.
Já falei imensas vezes com ela, mas....
Beijinho


De Migas a 12 de Março de 2008 às 23:15
Olá amiga!
Realmente tens que tentar fazer ver à tua piolha que somos avaliados constantemente e que não é caso para ficar assim. Se com esta idade já fica assim imagina quando for para o liceu ou para a faculdade... Eu sou mesmo amiga né? Animar as pessoas é mesmo o meu forte...
Tenta falar com alguem que a possa ajudar, um psicólogo ou assim, alguem que a ajude a aumentar a auto confiança (que cá para mim deve ser pouquinha).
E deixa lá... não és a unica a deixar a miuda com os avós para ir trabalhar. Eu só fico em casa com os meus quando estão mesmo mal, do género de irem ao hospital durante a noite. Sofremos todas do mesmo...
Melhoras para o teu pai e para a Maria.
Uma beijoca para ti.


De Estupefacta a 13 de Março de 2008 às 07:10
És amiga sim e realista. De facto, também já pensei que esta ansiedade se prendesse com a autoconfiança... vou falar com um psicólogo amigo, pode ser que me dê algumas dicas para poder lidar com isto. Já lhe falei no facto de estarmos sempre a ser avaliadas, no nosso dia a dia... já não sei o que lhe hei-de dizer mais.
Ainda bem que os nossos filhos têm avós. Os meus pais vivem longe, mas nestas alturas são espectaculares, graças a Deus.
Um grande beijinho amigo


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