Sábado, 1 de Dezembro de 2007

 

 

Antes de chegar à questão, sei que vou dar a «volta ao Marão», mas não sei escrever / dizer as coisas de outra forma.

 

À sexta, temos por hábito, depois da hora laboral, não fazer rigorosamente nada cá em casa. Esta noite é «sagrada». Não ter de pôr o despertador para as 6 da manhã traz-me uma enorme felicidade. Temos por hábito não  fazer comida. Como há aqui restaurantes magníficos que vendem comida para fora , passamos sempre por lá e trazemos as coisas cá para casa, nem que seja o belo do frango assado.

Ontem a ementa era, entre outras coisas, sopa de peixe, com coentros (que tanto eu como a Maria adoramos) e arroz exótico. Ficámos logo com «água na boca» e lá viemos.

No caminho recebo um telefonema de uma senhora que tem um míni mercado e café (tipo 2 em 1) aqui na urbanização, a pedir-me que ficasse com a filha mais velha durante este fim de semana porque o mais novo tinha ficado hospitalizado com uma pneumonia e o marido ia trabalhar à meia noite.

Obviamente que não iria recusar, afinal estamos nesta vida para ajudar também.

A miúda lá chegou por volta das 8 horas e, ao ver o jantar,  disse-me: «Desculpe d. F ...., mas não gosto da comida...» (más criações à parte, porque se não gostava, comia menos, é este o meu lema).

Bem o que iria fazer? Não tinha nada descongelado (e detesto fazê-lo no micro ondas) e, a verdade, é que também não me estava nada a apetecer fritar batatas com ovo estrelado  ou qualquer coisa do género. Foi então que me lembrei que os pais eram donos de um míni mercado que fica do outro lado da rua, pedi-lhe que fosse ter com o pai (que ainda estava na loja) e que trouxesse qualquer coisa que gostasse (porque têm lá muitos alimentos pré cozinhados). a miúda assim fez.

Quando voltou, vinha de mãos a abanar. «O meu pai não deu nada, ainda me ralhou, mandou-me comer torradas».

Nem queria acreditar. Aquele pai não dava nada para a comida da filha?!!! Disse-lhe para jantar torradas?!!!! Com um mercado cheio de comida?!!!

Anda aquele senhor «montado num BMW» (bem se calhar é por isso mesmo) e a comida para a filha nem ver.

Sou eu que estou a ver as coisas mal?!

Talvez, mas se se passasse isto comigo, garanto que mandava comida, bolachas e outras coisas mais, que a minha Maria gostasse.

 

(É por estas e por outras que a minha conta bancária está recheada).

 


sinto-me Estupefacta

publicado por Estupefacta às 13:55 | link do post | comentar

6 comentários:
De blogando-me1 a 1 de Dezembro de 2007 às 15:36
Tal como tu amiga, para os meus filhos que não falte nada. Principalmente comida. Já fui "acusada" de os mimar de mais, mas que querem, sou mãe e os meus filhos para mim são tudo. Agora esse pai nem sequer devia existir. Esse e outros e se leres o meu post, vais entender o porque .
Um bom fim de semana para ti e para a Maria.
Bjs fofos


De Estupefacta a 1 de Dezembro de 2007 às 15:43
Pois tal como tu, não me importo nada de ser «acusada» de mimar de mais a minha filha. Fá-lo-ei até ao resto dos meus dias.... Por ela sou capaz de tudo. Estamos a falar de comida? Isto não é um pai e ainda mais: se era para a miúda jantar torrada por que é que não as deu à filha?. Não tem um café Não vende torradas e leite? Mas se calhar a filha ainda teria de pagar...
Bem, fiquei mesmo furiosa, não com a miúda, claro, que não tem culpa nem escolheu o pai que tem. Mas aquele senhor ainda não percebeu que se morresse amanhã deixava cá tudo? Nunca vi um funeral que levasse reboque com os bens materiais.

Um grande beijinho


De Mia a 1 de Dezembro de 2007 às 18:11
Acabei de ler o teu post... e uiiiii!! o que me escapou? Custa-me acreditar que o pai se tenha a recusar comida à filha... cá para mim foi uma forma de obrigar a filha a comer o que havia. Talvez fosse isso... talvez dar-lhe uma lição. Apesar, que este tipo de lições e educação é para se dar em casa.
Que figurinha triste (a do pai)....


De Estupefacta a 1 de Dezembro de 2007 às 18:18
Olá Mia

Pode ser que tenhas razão e quem dera que sim, que não passasse de uma lição (embora e como dizes, isto devesse ser feito em ambiente familiar), mas não me parece.... pelo que tenho apreciado daquele senhor. É daqueles que só olha para o seu umbigo... os filhos? O miúdos, com 2 anos ficou internado e ele nem sequer ainda foi vê-lo... Telefonema para a filha? Não, as chamadas são caras.
É a isto que chamo miséria humana.

Um grande beijinho


De Migas a 2 de Dezembro de 2007 às 00:31
Não há nada mais triste que a tristeza. Sempre ouvi dizer... Grande pai! Jantar torradas e ainda por cima em casa da vizinha. E se não houvesse pão para torradas, como era?
Nem é preciso dizer que lá houve uma grande alma caridosa que acabou por se preocupar com a miuda e lhe fez o jantar, né?
Beijos


De Júlia a 3 de Dezembro de 2007 às 18:38
Eu também não compreendo como é que há pessoas que só vivem para as aparencias....


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