Sábado, 29 de Setembro de 2007

 

 

 

 

Não posso deixar de estar inquieta e apreensiva face ao NOVO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE.

Vivemos dias em que o sucesso escolar é uma prioridade para todos nós, para toda a comunidade educativa. Sucesso escolar implica, entre outras e muitas coisas, encontrar, aplicar estratégias diferenciadas a cada educando, tendo em conta toda a sua especificidade enquanto individuo.

Pergunto: será que as visitas de estudo (a aprendizagem in loco) não fazem parte dessas estratégias? Se fazem, porque não as podemos promover? Porque é que as faltas, em serviço, mesmo quando as restantes turmas ficam asseguradas e com planos de aula feitos atempadamente, contam para os 95% das aulas dadas, contam para a avaliação de desempenho? Não percebo, não faz sentido.

A grande maioria dos docentes é colocada a quilómetros de distância da sua casa. Estão sujeitos a inúmeras condicionantes, estão sujeitos a obstáculos que lhes são externos, como por exemplo, acidentes de viação (dos próprios ou de terceiros) que, obviamente poderão condicionar a sua chegada ao 1º e 2º toques. Pergunto: como justificaremos essas faltas? Os «artigos 102», de acordo com o novo estatuto, terão de ser «metidos» com 3 dias de antecedência. Como é que se prevê um acidente? Como é que se prevê uma indisposição, como é que se prevê uma «queda num charco de água»? Perguntas que podem parecer idiotas, mas «os azares» acontecem.

Os professores são colados 1 ano no Porto e no ano seguinte no Algarve . Onde está o trabalho contínuo que se pretende? E os projectos que se iniciam na escola anterior onde ficam? Recomeçam, ficam apenas pelo começo? Os testes de diagnóstico são elaborados, analisados e são tiradas as várias conclusões dessa análise. Os problemas comuns e individuais são trabalhados ao nível dos conselhos de Turma. Há toda uma despistagem que é feita por aqueles docentes, cujo seu trabalho é assente naquela realidade.

Todos sabemos que os projectos não surtem um efeito imediato, mas a médio e a longo prazo. Ora, se passado um ano as condições mudam, os professores são outros, pergunto: Quem dará continuidade? Não estaremos sempre a voltar ao início, a recomeçar, não estarão os nossos objectivos sempre adiados?! Será esta a nossa grande MOTIVAÇÃO???

Quantas são as escolas sem condições (é verdade, as notícias dão-nos conta que todas as escolas estão devidamente equipadas, com salas de aulas que reúnem todas as condições para a prática docente e para um ensino com sucesso), quantas são as escolas cujos pavilhões são «contentores», cujas paredes têm infiltrações de água, sem aquecimento, sem luz natural, sem materiais e equipamentos considerados básicos?

Bem sei que a maior parte dos alunos, filhos de pessoas «que têm direitos» não frequentam as escolas públicas e, por isso, não estarão sujeitos a estas condicionantes. E os restantes 2 milhões?!

Este pequenos apontamento fica por aqui, mas terá em tempo útil, continuação.

 

 

 

 

 


sinto-me Sem respostas

publicado por Estupefacta às 12:15 | link do post | comentar

4 comentários:
De raio a 29 de Setembro de 2007 às 15:19
... parece que os problemas relacionados com o ensino estão longe de estar resolvidos ... pelo que me disseram os problemas inedrentes à aplicação do novo estatuto de carreira docente terá outras implicações ... nomeadamente na avaliação dos alunos ... e na forma como estes poderão ver as suas notas artifialmente subidas por professores sem escrupulos para que consigam ver a sua classificação ou avaliação melhor colocada ... será verdade?
se tiveres mais indicações sobre este tema agradeço que me envies ... para que eu também poossa fazer um artigo sobre a matéria...
sAUdações
Raio do Blogue Trovoada Seca


De Estupefacta a 29 de Setembro de 2007 às 22:22
Boa noite
Já deixei uma resposta no blogue «Trovoada Seca», porque considero que este blogue é o veículo certo para a divulgação e análise destas questões.
Um abraço


De Lua de Sol a 29 de Setembro de 2007 às 16:52
A Educação, quanto a mim, é cada vez pior. Falo da pública, claro. E h á muitas culpas e culpados, contudo é indiscutível que o sistema (governamental) é o maior de todos.
As escolas fecham, as instalações não são apropriadas, os livros mudam anualmente e consoante a escola, os professores mudam, os alunos têm níveis culturalmente distintos, a segurança tresanda, etc.
Sou "assessora" da agenda cultural da Junta de Freguesia daqui e esta semana tive uma reunião. Aproveitei para os buzinar com pequenos grandes pormenores que constatei com o ingresso da Primogénita na escola pública (o que confesso que não seria opção se não tivesse mais dois filhos, pelo menos optaria por uma prim á ria particular). As listas dos livros saíram 3 dias antes das aulas começarem, a secretaria nunca me atende o telefone e a miúda é "obrigada" aos 6 anos acabados de fazer a comer peixe com espinhas e carne com ossos! Muitas vezes, come sopa, fruta e o acompanhamento, porque obviamente não tem destreza para arranjar uma posta de peixe e força para partir carne com ossos. Diz que os outros comem a carne à mão mas ela foi ensinada a não comer com as mãos e acha horrível! Não lhe vou dizer para o fazer, seria contraproducente! As vigilantes deviam ajudar os mais pequenos mas são poucas... A falta de organização da escola (quanto a livros e restante) deveu-se ao facto de que a escola, ou melhor aquelas instalações, passaram a acolher quatro escolas e dois infant á rios! A culpa não é da Junta mas da Câmara e do Ministério! A secretaria... não existe, por isso nunca me atenderem o telefone! V á l á que a segurança melhorou, porque a Junta decidiu dar ordens para manterem os portões fechados, graças a Deus!
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A Educação, quanto a mim, é cada vez pior. Falo da pública, claro. E h á muitas culpas e culpados, contudo é indiscutível que o sistema (governamental) é o maior de todos. <BR>As escolas fecham, as instalações não são apropriadas, os livros mudam anualmente e consoante a escola, os professores mudam, os alunos têm níveis culturalmente distintos, a segurança tresanda, etc. <BR>Sou "assessora" da agenda cultural da Junta de Freguesia daqui e esta semana tive uma reunião. Aproveitei para os buzinar com pequenos grandes pormenores que constatei com o ingresso da Primogénita na escola pública (o que confesso que não seria opção se não tivesse mais dois filhos, pelo menos optaria por uma prim á ria particular). As listas dos livros saíram 3 dias antes das aulas começarem, a secretaria nunca me atende o telefone e a miúda é "obrigada" aos 6 anos acabados de fazer a comer peixe com espinhas e carne com ossos! Muitas vezes, come sopa, fruta e o acompanhamento, porque obviamente não tem destreza para arranjar uma posta de peixe e força para partir carne com ossos. Diz que os outros comem a carne à mão mas ela foi ensinada a não comer com as mãos e acha horrível! Não lhe vou dizer para o fazer, seria contraproducente! As vigilantes deviam ajudar os mais pequenos mas são poucas... A falta de organização da escola (quanto a livros e restante) deveu-se ao facto de que a escola, ou melhor aquelas instalações, passaram a acolher quatro escolas e dois infant á rios! A culpa não é da Junta mas da Câmara e do Ministério! A secretaria... não existe, por isso nunca me atenderem o telefone! V á l á que a segurança melhorou, porque a Junta decidiu dar ordens para manterem os portões fechados, graças a Deus! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>J</A> á reparei que em muitos bons colégios os meninos aprendem a um ritmo mais acelerado (pelo menos no 1º ano) do que onde ela est á Ela j á me disse que ainda não aprendeu nada de novo. em duas semanas fizeram quilos de desenhos, contaram histórias e aprenderam os números até 5! E na sexta aprendeu a letra "i". Algumas crianças adormecem na aula e outras riem-se quando ela coloca questões ao professor. Penso que o professor até me parece muito bem e que est á a motiv á los e a tentar descobrir que alunos tem à sua frente. Na sua maioria provenientes de famílias com muita falta de instrução e, portanto, esteja a perder tanto tempo com o início... Mas o resultado comparativamente com outro género de alunos de certos bons colégios não ser á depois muito diferente?! E depois vão culpar o professor?! Não podem! A igualdade é cada vez menos igual. E a minha Rita que tem o mesmo nível (ou melhor) do que certos meninos ricos a frequentar esta escola pública não sair á prejudicada, apenas porque não tenho posses para a colocar num desses colégios?! Eu acho que fica! Isto não é ser snobe mas realista. Mas o governo tem ajudado a separar á guas e a acabar com o ensino "para todos". Até tem o lema: mais alunos menos professores! Não é absurdo? Relativamente aos professores só digo que ficaram prejudicados com a enorme crescente de licenciados que por não verem saída profissional optaram pelo ensino sem vocação. Mas até nisso a culpa é do sistema. Não sou contra os professores, os "professores". Até me faz confusão como h á tantos j á com mais de 30 anos a mudarem de terra todos os anos.Que futuro podem visualizar para a sua realização?! A minha prima do Porto é professora de Física e Química e foi colocada gr á vida no Alentejo e o marido no Norte! Isto h á 4 anos! Ser á possível que para trabalhar tenha que se desistir de ter vida pessoal?! Estão a fazer dos professores bodes expiatórios. Último: acho ridículo colocar a escolaridade obrigatória até ao 12º, quando h á tantos miúdos que nem o 9º acabam e outros que o acabam sem qualquer aproveitamento de jeito. É pôr a carroça à frente dos bois. Muitos países mais desenvolvidos não têm o liceu completo como obrigatoriedade. O insucesso ser á certo e os professores mais crucificados! <BR>Estiquei-me mas desabafei


De Estupefacta a 29 de Setembro de 2007 às 22:20
Olá Sara
concordo plenamente com tudo o que dizes.
1º A Ministra diz que não há escolas em maus estado.... É porque não faz o trabalho de campo, caso contrário nunca proferiria um absurdo destes. Escolas com bichos, com infiltrações , com salas sem luz natural, sem o mínimo de condições proliferam, infelizmente, por este Portugal fora.
2º Este novo estatuto em nada irá beneficiar os professores e os alunos. A avaliação terá em conta os resultados do sucesso escolar. Que resultados? Os reais ou aqueles que são necessários «dar» para ter boa classificação???? Estamos a enganar quem? Os alunos e medidas como estas levam a esse engano.
3º Escolaridade obrigatória até ao 12 ano a partir de 2009. Boa! Vamos ser todos doutores e engenheiros (como o nosso primeiro)... não vejo qual a utilidade desta medida. A meu ver apenas contribuirá para a insatisfação dos alunos, levará a que no 9º ano se juntem miúdos com 14/15 anos e outros com 18. Estes já serão os encarregados de educação de si próprios logo, as faltas estarão justificadas, as reuniões não surtirão qualquer efeito porque a intervenção da família se resumirá à do próprio educando. Quanto à violência? Essa aumentará certamente e mais uma vez os professores e alunos irão sentir isso na pele.
4º Pretende-se «copiar» o modelo das escolas do Norte da Europa... pois e as condições para sustentabilizar esse modelo? já para não falar nos ordenados dos professores. Qualquer jardineiro no Luxemburgo ganha mais que um professor com 11 anos de carreira (esta é a realidade).
5º Auxiliares de educação? Onde estão? chegam a ser duas num universo de 500 alunos.
6º Refeitórios e cantinas são, na sua maioria, adjudicados a empresas particulares, onde o baixo custo é mais importante que a qualidade. Os almoços são feitos bem cedo e distribuídos pelas várias escolas, onde já chegam frios. As escolas não dispõem de cozinha, logo não os podem aquecer. As boas maneiras infelizmente não são ministradas e estamos na selva.
7º Igualdade? Classe média? São conceitos que já não existem na nossa sociedade. O fosso é já demasiado notório: há os ricos, os remediados e os pobres.
8º A culpa será sempre dos professores, porque são o elo mais fraco. Pergunto: Qual foi a acção dos sindicatos neste novo estatuto? O que fizeram? Não me pareceu que tivesse havido grande intervenção. Fico a pensar no 1% que desconto todos os meses sobre o meu ordenado bruto para eles.
9ª O que importa a família dos professores? Nada. eu própria sinto isso na minha vida. que tempo tenho para acompanhar a minha filha? Nenhum, ou quase nenhum para não ser exagerada. Não importa nada se a família está separada, se o pai está no Norte e a mãe no Sul, a deles está junta... E fico-me por aqui, porque há coisas que me revoltam e muito.
10º Estudar não é para quem quer, mas para quem pode e, infelizmente, quem pode nem sempre é quem quer e/ou merece.
um grande beijinho


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