Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

 

 

Super-Mulher !

Sai da escola triste e angustiada . Ainda não fui de férias, já estou a pensar no próximo ano lectivo.

Finalmente tive acesso à minha distribuição de serviço e ao (possível) horário para o próximo ano.

Nem queria acreditar! Quem julgam que sou???!!!!

Níveis de ensino? O lema foi quantos mais melhor... Turmas que se adivinham problemáticas? Quantas mais melhor... Carga horária? Nem hora para a Coca-Cola light ...

Tenho uma filha, esquecem-se disso? A Maria vai para o 7º Ano e precisa que a mãe (professora!!!!) a acompanhe, lhe esclareça algumas dúvidas, a ajude na preparação para os testes....

Pois é, casa de ferreiro, ..... espeto de pau.

Fui ter com quem tomou aquelas decisões.

- Querem pôr-me maluca? Em que é que estavam a pensar? Sou pessoa, sou mãe, tenho família....

- Nós sabemos isso tudo, mas vais conseguir. Contamos contigo.

- Obrigadinha pelo RECONHECIMENTO.

É sempre assim, quando nos querem passar batatas quentes reconhecem sempre o nosso valor. Mas este argumento já não me ilude.

Fiquei mesmo desalentada. Sou professora e nem sequer tenho tempo para poder acompanhar a minha filha. Também sou Encarregada de Educação, tenho de dar contas pelo que a Maria faz.

Afinal, onde está o bom senso? Não está....

Claro, não vou ficar calada.

Falei de imediato com a minha mãe, que com a voz calma de sempre me respondeu:

- Dá Graças a Deus filha, por teres trabalho.

Isto é verdade, mas tanto?

Claro que confio no MEU DEUS, sei que «tudo posso naquele que me fortalece», mas aquilo que eu poso fazer, Deus não vai fazer por mim.

Não vou ficar calada, vou apresentar as minhas razões.

Se calhar preferem que os professores andem esgotados, ponham atestados médicos.

Se é isso, compreendo. Agora falarem de VALOR, de CAPACIDADES.... Se fosse o meu segundo ou terceiro ano de ensino até acreditava, mas já lá vão 15 anos lectivos.

 

 

  

 

NÃO SOU, NEM QUERO SER!

 


sinto-me DESENCATADA

publicado por Estupefacta às 14:52 | link do post | comentar

21 comentários:
De Lua de Sol a 20 de Julho de 2007 às 15:12
Não sei como ainda estás estupefacta! Nós, mulheres, com o último progresso e com as recentes políticas simplex temos ficado com a vida mais complicada! Lol
É bom teres emprego mas se for um emprego que te "tire" a vida... Mas como não há nada a fazer, força e coragem. Faz-me um favor, quando fores de férias não te ponhas a pensar no assunto porque senão perdes a paz de espírito, aproveita para recarregar baterias que bem vais precisar. Parece-me que os professores se tornaram "personas não gratas", com as últimas notícias das reformas recusadas... Sabes o que te digo?! Isto é cada vez uma vergonha maior! E depois querem que as pessoas se sintam felizes com o ensino público em Portugal, com professores esgotados, moribundos, crianças sem acompanhamento dos pais...


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:03
Olá Lua de Sol
Obrigada mesmo pelo teu conselho. Tenho mesmo de me desligar um pouco do trabalho.
Comecei hoje, ou melhor, começarei na segunda feira (porque o fim de emana não conta) o período de férias e vou mesmo ter de recarregar energias.
Admira como desvalorizam tanto o trabalho dos professores, quando os pais se lamentam tanto dos filhos e isto nas poucas horas que passam com eles, mas é mesmo assim.
Um grande beijinho


De artesã a 20 de Julho de 2007 às 15:24
Amiga, não deve ser tarefa fácil , mas vais conseguir ser essa super mulher, e é verdade, tens sorte em teres um emprego, conheço muitas pessoas que tem uma licenciatura e não sabem o que fazer com ela porque emprego não tem. Um abraço e bom fim de semana.


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:05
Olá Artesã
Sei que, nos dias que correm, ter um emprego estável é coisa que rareia, mas penso que os professores mereciam um pouco mais de consideração.
Um grande beijinho e um bom fim de semana, com muito Sol.


De Milena a 20 de Julho de 2007 às 15:36
Passei para dizer olá e bom fim de semana.
Animo, parece que hoje em dia o encanto de ser professor desapareceu, e como em todas as profissões há os bons e os menos bons e os que nem merecem lá estar. Mas os que que estão lá por amor ao ensino, e ao gosto de ensinar sentem o desanimo que tu sentes, mas tens de continuar e pensar eu vou mostrar que sou mesmo uma boa docente, mesmo eles me querendo derrubar.

Um beijinho de bom fim de semana para ti e familia.


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:09
Olá Milena
Eu percebo a «política», até porque ter um corpo docente estável não é para os nossos dias. Os projectos da educação não podem ter a durabilidade de um ano apenas para que se obtenham resultados.
Mas também sou mãe e tenho família. Isto não conta, ao que parece. Esquecem-se que trazemos sempre TPC . É pena.
Um grande beijinho e bons banhos nos «mares do Sul». Já começou a contagem decrescente para também rumarmos em direcção ao Sul.


De nofimdoarcoiris a 20 de Julho de 2007 às 15:54
Pois é! Quando dizemos que estamos sobrecarregados, vem logo essa: "és óptima, confiamos em ti, sabemos que vais conseguir, damos mais a ti porque és a melhor, etc.". Conheço esse tipo de argumentos. Também os vou ouvindo. Como sou de ideias fixas, vou insistindo em cumprir o meu horário, não ficando muito para além da minha hora, pois tenho família, tenho uma filha que precisa muito da minha atenção.
Sei que cada vez é mais dificil assumir atitudes como a minha, ainda mais agora com esta história da flexi-segurança. Cada vez vamos ver mais os trabalhadores a cederem ao que lhes exigem com receio de perderem o seu emprego. Mas ainda vamos a tempo de resistir.
Beijinhos


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:15
Olá
Não quero ser vitima, nunca o fui e não é agora que me vou fazer passar por isso, mas a realidade dos professores é bem dura.
Reuniões atrás de reuniões, atendimento aos Enc . de Educação depois do términos das actividades lectivas, corrigir e avaliar testes, fichas, preparar aulas, escolha de materiais, adequar estratégias....
Milhentas coisas que têm de ser feitas e que ninguém se apercebe.
Acredita que não ficarei calada, até porque a minha família é o bem mais precioso que tenho.
Um grande beijinho para ti e para a tua pequenota.


De Ritynhaa a 20 de Julho de 2007 às 21:08
Olá =)
Os professores são professores porque o querem ser...mas daí a terem horários completamente doidos...
É bem verdade: 'Em casa de ferreiro, o espeto é de pau'...a minha mãe também é professora (de Matemática) e devido ao horário super 'organizado' que lhe deram no ano passado...o espeto foi mesmo de pau xD...
Agora têm de acreditar que vai conseguir organizar isso e que vai ser mesmo 'Super Mulher'...

P.S. Penso que é professora de História, eu escolhi Linguas e Humanidades (antigas Ciencias Sociais e Humanas)

Beijinho'
Vamos acreditar que lhe vão alterar o horário...sim? =)


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:18
Olá Ritynhaa
Fico contente por teres escolhido a área que também elegi. Vais gostar com toda a certeza e pelo que leio vais ter sucesso.
Tu melhor que ninguém és capaz de compreender porque vives as duas realidades. Não é fácil, acredita. No fim, os mais prejudicados são mesmo os filhos dos professores . Esta é a verdade.
Um grande beijinho e bom fim de semana


De Tg a 20 de Julho de 2007 às 21:09
É impressionante como nos super valorizam (sem querer desvalorizar-te lógico) quando nos sobrecarregam com algo, eu como estudante ainda não passei por isso (a não ser com a sobrecarga de trabalhos que nos dão na faculdade...mas acho que isso não conta). Mas o chefe do meu Mais-que-Tudo tem a mania deste tipo de atitudes elogia, super valoriza mas na hora do aumento...bem volta a elogiar e super valorizar mas... Pois só que os elogios não pagam as contas, não que nos queixemos mas tendo em conta o trabalho e horas que ele dedica ao trabalho...acho injusto que ele só seja compensado com elogios, mas a vida é uma selva, não é?! Mas melhores dias virão...enfim.
Amiga...coragem e tenta fazer o teu máximo (que eu sei que vais fazer), nem sempre vai ser fácil e talvez não consigas....afinal só és uma Mulher e uma Mãe que quer o melhor para a sua filhota, mas faças o que fizeres nunca descures a Maria (eu sei que não poderias fazê-lo nunca)...
Beijo e animo, goza bem as férias que vais precisar de forças para o próximo ano lectivo.
Beijo


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:27
Boa noite TG
Sabes, os chefes têm a técnica de tecer muitos elogios quando nos querem dar mais trabalho e, como vives isso também, compreendes porque não me deixo iludir.
Quer queiram quer não, a Maria é mais importante que tudo e que todos e de a acompanhar não vou prescindir por nada nem por ninguém deste mundo.
Tento sempre fazer o melhor naquilo que levo a cabo, mas com horários destes duvido que o consiga fazer.
No início do ano lectivo, costumamos fazer conselhos de turma para «conhecer» um pouco de cada um dos alunos. Nesse dia tinha também uma reunião na escola da Maria. Perguntei qual o tipo de falta que poderia pôr. A resposta foi: não tem ninguém que vá à reunião? Boa! A reunião dos alunos não podia faltar, mas à da minha filha... que importância tinha.
Claro, que fui e irei sempre.
Um grande beijinho.
Já me esquecia: pública mais fotos sobre o catálogo. Ainda não o recebi e assim vou conhecendo as novidades.
Um grande beijinho e agradeço-te a força


De Anónimo a 20 de Julho de 2007 às 22:03
Comentário apagado.


De Estupefacta a 20 de Julho de 2007 às 23:37
Olá Rui leprechaun

Conheço a Escola Waldorf e o seu método de ensino. Tenho uma colega que estudou lá e.... sem comentários.
Deus não é um escape para mim, é uma realidade.
Um bom fim de semana.
Pensa bem, darias um bom professor!


De drink a 21 de Julho de 2007 às 22:51
Olá estupefacta.

É indecente! Como não podem ser compreensivos com uma pessoa como estas?

Há realmente pessoas que não sabem dar o verdadeiro valor às pessoas...

Por incrível que pareça , e apesar da minha idade, não é que eu sinto que também me calcam um bocadinho lá no bar, e se aproveitam de mim! \:
Mas eu sou uma bequinha anta, porque a patroa é minha madrinha, e eu calo-me porque sou uma pessoa que fala mais com o coração do que com a cabeça!

Mas se fosse o seu caso, aiiiiiiiiiiii ninguém me calava!
Por isso, estupefacta, estou consigo, se for preciso a minha voz também a dou, para que se o tempinho a que merece.

Bjinho grande. Diana


De Estupefacta a 22 de Julho de 2007 às 22:58
OLá Diana
Esta história de reduzir os gastos traz grandes implicações para a vida das pessoas. Este ano houve muitos colegas que ficaram no desemprego, pessoas com família e com despesas que têm de ser pagas. A situação não é nada famosa, sobretudo para os professores que não estão efectivos. Dói ver isso. O que mais me irritou nesta história toda foi a hipocrisia com que me comunicaram. Percebes quando te estão a elogiar porque te querem dar, apenas e tão só, mais trabalho. Fez-me lembrar os tempos em que assistia às teses de Mestrado e de Doutoramento. Quando os elogios vinham em 1º lugar, era sinal que a teses estava condenada. Eu não estarei condenada, mas que que é uma injustiça lá isso é. E não vou ficar calada até porque não se podem sobrepor à lei.
Um beijinho grande.


De carlos a 22 de Julho de 2007 às 18:22
Olá! Tens razão em reclamar o excesso de trabalho, mas sabes porque te deram esse excesso e ma~is responsabilidades, porque és capaz! Não, não és a super mulher,essa não existe mas és uma grande mulher e real.
Beijinhos,boas férias,esquece o trabalho nos proximos dias e diverte-te.


De Estupefacta a 22 de Julho de 2007 às 23:03
Olá RCarlos
Se soubesses em que escola me efectivei, compreenderias ainda melhor esta minha reclamação.
Lisboa, como qualquer outra cidade, tem zonas mais problemáticas em termos sociais. A minha escola abrange uma (aliás, várias) dessas zonas. Houve tempo em que foi conhecida por Tarrafal.... Está tudo dito.
Um grande beijinho
Fartei-me de rir com a tua resposta ao meu comentário... Ninguém tem ciúmes, mas aqui todos sabem do meu amigo RCarlos . És de Lisboa, por isso vou ter de te adicionar no msn . Ficamo-nos a conhecer melhor. Um grande beijinho


De Espanto a 22 de Julho de 2007 às 23:23
Olá, Estupefacta!

Eu sei bem o que é conciliar a nossa profissão ( que não é só dar umas aulinhas, como alguns pensam) com a familia. Eu contínuo contratada porque se fosse para muito longe de casa não conseguia dar algum apoio à minha familia, que com tratamentos em Alcoitão 2 x por semana era impossível dar aulas no Alentejo, e infelizmente um professor contratado não pode pedir destacamento nestes casos! Depois reduções porque se tem um filho deficiente é uma carga de trabalhos! È mesmo "casa de ferreiro, espeto de pau". Eu este ano lectivo que passou tive a 50 km de casa, apoio à minha filha muito pouco, ela estava no 4º ano mas eu não tinha tempo para ela, saía de casa às 6 da manhã e regressava às 21.30h. Porque o horário deixava a desejar! Fins de semana ... nem vê-los! Era preparar aulas, fazer e corrigir testes, fazer fichas, apontamentos, actividades e a minha filha?
Ficava para trás!
O sentimento geral dos professores é este,pelo menos na minha escola. Não temos tempo para os nossos filhos! É assustador!
Porque nós não trabalhámos só 24 h ou 26 h na escola ( isto já a contar só com a componente lectiva e não lectiva, nem falo nas reuniões, que não são poucas!), trabalhámos mais de 35 ou 40h semanais pois não levamos1 ou 4 h para corrigir 5 turmas de testes, cada uma com 25 alunos na melhor das hipóteses! Por isso compreendo-te muito bem! A minha maior angústia e frustração é nãoconseguir dar o apoio que a minha filha precisa!
Beijinhos


De Estupefacta a 23 de Julho de 2007 às 21:28
Olá Espanto
Sei que também para ti não deve ser fácil. Ser professor é das profissões mais desgastantes. Há uns tempos li um artigo em que referia que ser professor era a 4ª profissão mais desgastante. Em 1º lugar vinham os controladores aéreos, depois médicos e enfermeiros que fazem banco, em 3º telefonistas e em 4º nós.
Mas, no fundo só contamos umas historinhas aos meninos, nada mais... Claro que estou a ser sarcástica.
Um dos meus irmãos ficou admirado por ter tido 6 turmas no ano que acabou. Nunca pensou que fossem tantas, respondeu. É só multiplicar 6 por 25 (em média) e vê-se o resultado. Houve dias, sobretudo nas vésperas dos testes da Maria, em que sai a chorar da escola, porque havia sempre uma reunião de carácter urgente (no fundo, sentia que estava ali a «virar frangos», desculpa-me a expressão) e nunca lhe pude fazer as perguntas que as outras mães faziam aos filhos. É triste, mas é esta a nossa realidade.
Um grande beijinho para ti e família e força com a Nokytas


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