Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Este texto vem na sequência do post anterior e foi retirado da Net , com algumas adaptações

A MULHER MAL AMADA

                                               
Se a mulher bem amada  é imune a piropos baratos, a   mal amada  talvez não o seja, pois é vulnerável, do ponto de vista sentimental.  As suas  defesas estão debilitadas, tem carência de afecto, de respeito,  de cumplicidade, de conivência  e de companheirismo. Enfim, falta-lhe amor, sobra-lhe preocupação com o amanhã. Alimenta, sempre e sempre,   esperança de melhores dias. Sonha  ser amada, receber afecto, ser compreendida, respeitada como mulher, mãe, companheira e amiga. Espera e espera, mas o sonho não se realiza.  Cansada, admite enfrentar  o risco de  uma aventura fora da relação. A vulnerabilidade reside somente neste aspecto.

Mas o quê tem a perder ?

A regra não é infalível. Mas se  é jovem, não chegou aos trinta, a auto estima; o desejo de luta; o vigor da juventude; as aspirações de liberdade; a consecução dos sonhos de menina moça; a garra de enfrentar   a educação dos filhos, se os tiver; constituem a soma dos factores que a fazem falar mais alto, a ver mais longe.

O desamor, que corroeu sorrateiramente o relacionamento, aliado à força  interior, ao poder de determinação,  pode levá-la à uma posição de independência, ao risco  de  uma aventura.

Quando assim é, a preferência geralmente recai num homem mais velho, bem posicionado na vida.  Fica, então, a pergunta: seria uma busca pela segurança não encontrada no parceiro jovem, ou projecção da figura do pai, das reminiscências de infância?

Somente Freud poderá explicar.

No entanto,  conclusões apressadas não devem ser feitas. A carência de afecto e de amor não a leva, somente por isso, a aceitar  qualquer proposta amorosa. Não é bem assim. Apenas torna-a mais vulnerável neste aspecto particular. A aceitação ou recusa de  um galanteio, depende do  momento, das circunstâncias, da forma de abordagem  ou da empatia com quem lhe despertou a atenção.
Não se lhe atirem pedras, pois. Ela  é fruto da incompetência do  homem (que escolheu como seu) em seguir as regras básicas de comportamento no ambiente do lar, no leito conjugal.

Essa inaptidão, porém, não nasce de repente, nos preliminares do jogo amoroso ou no justo momento do acto sexual. A origem remonta aos  primeiros contactos; ao tempo da conquista.
As atitudes na constância da relação são, portanto, um prolongamento da convivência anterior, com seus defeitos  e virtudes
Na maioria das vezes o homem não percebe certos detalhes próprios à condição de mulher: os chamados caprichos femininos, tais como: a vaidade no vestir-se;  o prazer em olhar com frequência as mesmas vitrines; visitar as mesmas lojas à procura de  novidades, mesmo  sem interesse em fazer compras; a ida aos salões e ginásio, ainda que suportem  a chatice  das conversas “intelectualizadas” das cabeleireiras e manicuras (que me perdoem).

Há tantas outras coisas que  o  homem não dá a mínima importância, mas   para elas  estão intrinsecamente ligadas  às  suas vidas, que se tornam  impossível de suprimir.

Mas há também as subtilezas do género; as nuances,  os detalhes quase imperceptíveis,  as perguntas ao parceiro, tais como:  “estou bem assim?”. Ao exibir, antes de deitar-se, uma  “lingerie” escolhida especialmente para aquele momento.

No  caso, o detalhe “roupa” tem pouca importância. O objectivo é chamar  a atenção   para ela,  um pouco “esquecida”, ultimamente. São estas e outras pequenas nuances da vida em comum que marcam o êxito ou fracasso de um relacionamento.

O papel do homem é fundamental  neste contexto. Se não gosta de acompanhar a companheira  nas idas aos shoppings, não deve impedi-la, quanto muito deve apenas “deitar um olhar” em relação aos gastos.

Se ao homem não lhe chamam a  atenção as roupas sensuais exibidas, nunca deverá demonstrar desinteresse. Melhor será um gesto de assentimento ou um elogio. Nada custa dizer que  ela fica  melhor, fica mais magra. Não há, talvez, satisfação maior do que ouvir tais palavras.  Atitudes como essas  constituem um bálsamo a massajar o ego, a reconfortar a auto estima,  a não torná-la   uma mulher mal amada.

Como regra geral, se há ajustamento, harmonia, na  fase preliminar ao casamento, a tendência é de continuar assim, salvo o desgaste natural provocado pelo tempo  e pela  rotina da convivência.

Sendo a mulher o assunto deste comentário, lamentável   que se ignore uma importante regra: não há mudanças  para melhor após  o casamento, se na fase que o antecede já existiam problemas no relacionamento.  Se,  por exemplo,  o parceiro era ciumento;  bebia em excesso; preferia, após o trabalho,  a conversa com os amigos, nos barres,    a situação continuará a mesma ou ficará pior  ainda.

As promessas e juras de mudanças, dificilmente serão cumpridas.  A preferência pela  companhia de amigos,  após o trabalho, ao invés do regresso ao lar, continuará, por certo. A cultura machista  repugna a ideia de os parceiros  serem vistos como os “dominados pelas mulheres”.

Por paradoxal que pareça, é  este o ponto fulcral das conversas, além  da política, do futebol e das muitas soluções  para  os problemas do país,  comentários maldosos sobre a vida alheia, sobre a vida de mulheres,  às vezes dos próprios amigos. Ausentes, é  claro.

Situação diferente é a da mulher, igualmente mal amada,  que não se arrisca sair de uma   relação antes de chegar e ultrapassar os trinta anos. Os filhos crescidos, em idade escolar, com os problemas comuns  à juventude,  projectam  nela um sentimento de responsabilidade maior que seu amor próprio, que o seu  desejo de liberdade.

As primeiras rugas anunciam ou denunciam o alvorecer da maturidade.  No balanço da vida, se houve êxito da mãe com  a educação e encaminhamento deles na trilha da vida,  a submissão aos caprichos  do companheiro  deixou-lhe  cicatrizes  profundas nas suas aspirações  de mulher.

Resignada, conclui ser tarde, muito tarde, para sair do emaranhado construído ao seu redor. E neste ponto, e como lenitivo, a perspectiva ou a chegada de netos reacenderá as alegrias, já sepultadas,  de  jovem mãe  e  compensará a possível desilusão pela  substituição na relação conjugal por outra  mais bela, porque  mais jovem e sem sinais de rugas.


sinto-me Bem amada
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publicado por Estupefacta às 07:01 | link do post | comentar

8 comentários:
De Pedro de Sousa a 18 de Junho de 2007 às 13:48
Ola

Estou a ver que está com um ponto de vista um pouco parcial em relação à situação...

"Ela é fruto da incompetência do homem (que escolheu como seu)..." Isto é um contrassenso... ELA é que escolheu mal, pois escolheu um incompetente, logo foi incompetente ao escolher...

"Na maioria das vezes o homem não percebe certos detalhes próprios à condição de mulher: os chamados caprichos femininos... " Então ha que reconhecer que ELA é caprichosa e consequentemente ele pode ter sido iludido no inicio e agora estar farto de tanto capricho... e se a mulher é caprichosa... erro dela

Não continuo, obviamente... não faria sentido... só te queria demonstrar que sempre que pensares algo, teras que pensar o porque e tentar arranjar uma explicação...

Os homens não são maus... nem bons... são apenas seres que pensam de um modo diferente... se não os quiseres entender (não copiar, nota) seras infeliz...

Beijinhos
Mikerinos


De Estupefacta a 18 de Junho de 2007 às 15:01
Olá Mikerinos
Antes de mais quero agradecer a sua visita e o seu comentário.
Vou tentar fazer-me compreender em relação a determinados pontos:
1. Muitas vezes os homens que escolhemos, tendo em conta um determinado momento e em determinadas circunstâncias, «transformam-se depois do início da vida a dois. Perdem o interesse pela companheira (porque já não é novidade, mas um dado adquirido), trocam as mulheres pelos cafés, cervejas e.... (o que não quer dizer que isto não aconteça com as mulheres, mas, talvez por também ser mulher, penso que é maior a incidência no sexo masculino. Não me parece, por conseguinte, um contra senso .
2. Quando me refiro (ou melhor quando reitero) que o homem não percebe os «caprichos» da mulher não quero dizer que esta é mesquinha, caprichosa, birrenta... Mas as mulheres gostam de determinadas atenções, carinhos, miminhos, flores, etc. Assim como os homens também gostam de chegar a casa e ter uma massagem relaxante , que as mulheres os oiçam sobre o trabalho (sim, porque os homens trabalham mais que nós, têm uma maior responsabilidade. Aqui sim, estou a ser tendenciosa).
3. Não considero os Homens maus, bem pelo contrário. Lutei muito para ter o meu marido de volta e reconheci os erros que havia cometido. Não foi uma luta de meses, mas de anos. Por isso acho-os até imprescindíveis em todos os aspectos. Reconheço que têm uma maneira de pensar diferente, mas sou MULHER.
Espero ter conseguido esclarecer «a minha tendência».
Volte sempre. É bom ter um «olhar masculino.


De Pedro de Sousa a 18 de Junho de 2007 às 15:15
Eheheh... encontrei eco...
Sei disso.

Puseste o dedo na ferida "que escolhemos, tendo em conta um determinado momento e em determinadas circunstâncias, «transformam-se depois do início da vida a dois..." é o essencial da frustração do casamento

O casamento é dinâmico, não estático... a mulher com que casei não é a mesma de ha 17 anos. De resto eu tambem não sou o mesmo homem... Mas casaria eu com esta mulher se fosse hoje? E casaria ela comigo? Não se sabe...

Ela tambem me pediu para não sair de casa... terá feito bem? não se sabe...

As atenções de que falas não são caprichos... todos gostamos de atenções e carinhos... capricho tem conotação negativa... necessitar de carinhos é positivo... significa que ha interesse, amor, desejo...

A vida é como um Y... tens sempre dois caminhos... quando optas por um, nunca sabes se devias ter ido por outro

Mas isso é filosofia...

Beijinhos
Mikerinos



De Estupefacta a 18 de Junho de 2007 às 15:27
Gosto de si, Pedro Sousa
Fez-me sorrir. Tem razão, «capricho tem uma conotação negativa», embora não fosse essa a conotação que lhe queria dar.
Eu também escolhi o homem com quem casei (há 15 anos) e voltaria a escolher. Aliás, escolhi-o de novo. Esteve ausente 6 longos anos e travei lutas que pensei não conseguir ganhar, mas consegui. Hoje tenho-o de volta. É o homem que amei e que amo. Houve um segundo caminho, mas o primeiro deixou marcas que não quis perder. Optei. Estou convicta que a minha opção, com outras circunstâncias e num outro tempo, foi a mais certa.
Um beijinho


De Pedro de Sousa a 18 de Junho de 2007 às 15:36
Foi a TUA... isso é que é importante... portanto foi a certa. O resto são histórias...

Beijinhos
Mikerinos


De Estupefacta a 18 de Junho de 2007 às 16:05
È isso mesmo
Obrigada pelas tuas palavras.


De cintia a 18 de Junho de 2007 às 22:02
Olá amiga!
Eu acredito que a mulher qu não recebe carinho e ou não é amada, está mais vulnerável a certas situações.
A minha história não sei se a les-te, mas foi uma história de amor, por isso o amor continua a estar presente no meu casamento, mas todos os dias procuramos alimentar esse amor, com pequenos gestos, devemos mostrar sempre o nosso amor...

Beijinhos cintilantes

cintia


De Estupefacta a 18 de Junho de 2007 às 23:48
Boa noite Cíntia
Ainda não tive oportunidade de ler a tua história, mas vou fazê-lo com toda a certeza.
Por não ter alimentado o meu casamento (e não foi por falta de conhecimento) tive uma interrupção de 6 longos anos.
Agora tenho-o de volta. Não vou perdê-lo.
Um grande beijinho


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