Domingo, 17 de Junho de 2007

O meu bairro (detesto esta palavra) está infestado de gente mal dizente, que passa a vida nos cafés a comentar a vida de uns e de outros.

Porque tenho o hábito de comprar pão diariamente, acabo por me aperceber de quem lá passa e do que lá se passa.

As conversas são sempre as mesmas (não sou surda, graças a Deus): a fulana de tal deixou o marido, o outro deu-lhe uma valente sova, a filha daquela anda sempre bem vestida, a outra parece de «Cascais», o outro comprou um topo de gama....

Será inveja? Também e muita.

Para sermos alvo de inveja por parte dos outros não é preciso muito, basta que um dos nossos filhos tenham bons resultados na escola, que ande limpo, com roupas bem tratadas (nem sempre novas), que usemos um bom perfume, que andemos com o cabelo arranjado, que não falemos a toda a gente e que, muito menos, alimentemos esse tipo de conversas.

Falar dos outros atenua a nossa dor.

Quantas são as pessoas que falam da violência que se vive no lar da vizinha, quando elas próprias vivem essa realidade?

Quantas falam dos bons resultados escolares da filha da outra, mas não «gastam» sequer 10 minutos diários no acompanhamento dos filhos nos T.P.C .?

Quantas falam da roupa que os outros vestem, quando andam de chinelos de quarto pelas ruas e pelos cafés?

Tenham dó....

Querem ter o mesmo ou melhor? É só por as mãos à obra. Nada cai do céu. Temos de lutar muito, de conquistar e estabelecer o que conquistamos (não é só ganhar e despois esbanjar).

Habituaram-se a viver dos rendimentos mínimos, dos subsídios de desemprego, dos ordenados dos maridos e, depois, quando se vêem subservientes, «atacam» os que trabalham, os que lutam por uma vida melhor.

O pior é que são estes valores que transmitem aos filhos. Depois,  fala-se da teoria da PREDESTINAÇÃO.

É verdade sim: não vou de chinelos nem de robe despejar o lixo, gasto o tempo que considero necessário com a minha filha, levanto-me todos os dias às 6 horas da manhã. Luto pelo que quero, pelo que quero proporcionar à minha filha, trago sempre trabalho para casa, mas nem por isso descuro os afazeres domésticos. gosto que o meu marido ande impecável, com as calças e as camisas bem vincadas, gosto de usar um bom perfume e de  ter uma boa apresentação.

(Estou pronta)

 

 

Isto é pecado? Não me parece...

O que falta, então, às outras pessoas?! Trabalho, ter o que fazer.... Preencher as suas vidas.

Em Eclesiastes 3 diz «que há tempo para tudo nesta vida», só temos que saber gerir esse tempo.

Vejo novelas? Não digo que não, mas quando esse tempo me faz falta para outras coisas...

Estou com o meu marido? Saio com ele? Saímos em Família? Saímos só os dois? O mais possível.

A família é a base, o suporte da minha vida....

Foi um desabafo.

 

 

 


sinto-me ESTUPEFACTA
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publicado por Estupefacta às 17:23 | link do post | comentar

11 comentários:
De artesã a 17 de Junho de 2007 às 20:03
Pois é amiga, como eu te compreendo, conheço bem esse tipo de pessoas que até parece só estarem bem falando da desgraça alheia, tenho uma amiga que diz que eles tem "um olho comprido" lol ...deixa falar!


De Estupefacta a 17 de Junho de 2007 às 23:44
Sabes artesã
Acho que falta sentido à vida das pessoas.
Antigamente ainda se dedicavam a fazer renda, camisolas, meias....
Agora deu-lhes para isto.
Sinto um pouco isto na pele e, confesso, que por vezes incomoda-me.
Beijinhos grandes


De Caty a 17 de Junho de 2007 às 20:30
Olá!
Não posso deixar de comentar... é como uma praga nacional, há por toda a parte!!!
Onde vivo é a mesma coisa! Como uma pessoa trabalha, e não passa o tempo a coçar a micose no café cada vez que uma pessoa entra no café sinto olhar dessas pessoas.
Enfim, falta de trabalho!!! =)
gostei muito do teu blog, vou passar por cá mais vezes!!! Beijokas


De Estupefacta a 17 de Junho de 2007 às 23:48
Olá Litlle Lion
Agradeço muito a tua visita e também por me teres adicionado como amiga. Vou fazer o mesmo.
Pois é, as pessoas não podem com a felicidade dos outros... Parece que a vida delas depende do mal dos outros.
Isto incomoda-me profundamente.
Um grande beijinho


De aspalavrasnuncatedirei a 18 de Junho de 2007 às 00:59
Gostei imenso de ler este teu «desabafo». Realmente é verdade, há pessoas que têm um prazer enorme em falar da vida alheia, então se fôr falar mal ,melhor ainda. Não suporto pessoas assim. São umas «mal dizentes», umas «mal amadas» e muitas vezes prejudicam os outros, à custa das suas línguas venenosas.
Comadres à parte... boa semana.


De Estupefacta a 18 de Junho de 2007 às 07:29
O Post que hoje plagiei vem na sequência do teu comentário.
És a fonte da minha inspiração (pena que tenha sido plagiado)
Uma boa semana de trabalho (a última com os meninos). Isso deixa-me aliviada, mas também


De Ritynhaa a 18 de Junho de 2007 às 11:12
Ola =)
Eu vivo num sitio assim, numa vila em que há 'grupos' que se juntam para falar da vida dos outros. Acho que é habitual as pessoas que não querem ver a sua propria vida criticarem a dos outros...
Essas pessoas sabem mais da vida dos outros do que da sua propria vida. Essas pessoas ouvem aqui e contam ali. Essas pessoas não sabem especulam. Falam de assuntos que não lhe dizem respeito e levantam falsos testemunhos...
Enfim...

Beijinhos'
Gostei do post


De Estupefacta a 18 de Junho de 2007 às 15:05
Olá Ritynhaa
Tens toda a razão no que afirmas. Falta-lhes ter o que fazer.
No meio pequenos essa realidade é ainda mais visível. Julgam os outros propriedade sua. No fundo, vivem as suas próprias tristezas ao especularem sobre as vidas alheias.
Um grande beijinho


De daplanicie a 19 de Junho de 2007 às 11:10
Escrevi há pouco no meu blog um post sobre a inveja. Realmente é uma coisa impressionante a quantidade de gente que, não tendo nada que fazer da vida, passa o tempo a dizer mal dos outros com uma dor de cotovelo que mete dó!! E então nos meios pequenos nem se fala!!


De amiga-maria a 19 de Setembro de 2007 às 09:55
Bravo....
Parabéns.....Adorei.
Gostaria de ter essa força...Maria


De Marco a 21 de Outubro de 2007 às 00:29
E quando as pessoas têm tanta inveja e conseguem destruir a vida das outras pessoas? Muitas aproveitam-se da fragilidade de algumas pessoas para depois as ver na miséria...infelizmente é a sociedade que temos...


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